Rastros (Felipe Rezende)



"Sinto frio...
O frio, um frio...
Um frio que não é como qualquer outro.
Um frio que incomoda, que dói, que machuca;
um frio que deixa marcas, que fere os corações
De quem ousa se aproximar.

.

Sinto falta, sinto saudade.
Mas já não me sinto, não sinto nada.
Esqueci-me de sentir a mim mesmo,
Diante de tanto sentimento.
Me sinto estranho, me sinto só,
Mesmo com todas essas pessoas à minha volta.
Me sinto um nada e nada mais.

.

Um dia frio,
Em que nada me aquece.
Um frio dia,
Onde tudo se esquece.
Um dia frio,
Em que nada me aquece.

.

Sinto a chuva.
A chuva?
Não há mais chuva.
E a chuva foi embora.
Deixou apenas rastros.
Gotas de lágrimas no vidro da janela,
Que escorrem uma a uma em direção ao mar;

.

Fria a chuva.
Não há mais chuva.
A chuva é fria.
Ainda há o frio.
Frio que tanto incomoda,
E que o sol há de levar.

.

E brilha o sol,
Como um sorriso.
E brilha um sorriso,
como o sol.
Ambos aquecem, ambos iluminam.
Ambos trazem de volta a esperança,
Que, com o frio, deixei passar.
E o sol brilha e me trás o sorriso.
Sorriso do qual nunca,
Nunca mais vou me afastar."

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